terça-feira, 25 de setembro de 2012
Descobertos novos planetas que orbitam ao redor de 2 sóis
http://noticias.terra.com.br/ciencia/noticias/0,,OI5554419-EI301,00-Descobertos+novos+planetas+que+orbitam+ao+redor+de+sois.html
Concepção artística mostra planeta descoberto
Uma equipe de astrônomos encontrou dois novos planetas que orbitam ao redor de dois sóis, um fenômeno que foi observado pela primeira vez na história em setembro do ano passado e que consolida a suspeita de que existem milhões deles na galáxia.
A Universidade da Flórida anunciou nesta quarta-feira a descoberta, da qual participaram alguns de seus astrônomos e que foi possível graças à análise dos dados obtidos pela missão Kepler, da Nasa.
Os cientistas batizaram os planetas de Kepler-34b e Kepler-35b. Ambos orbitam ao redor de uma "estrela binária", um sistema estelar composto de duas estrelas que orbitam mutuamente ao redor de um centro de massas comum.
"Embora a existência destes corpos, chamados de planetas circumbinários, tenha sido prevista há muito tempo, era só uma teoria, até que a equipe descobriu o Kepler-16b em setembro de 2011", explicou a instituição em comunicado.
Kepler-16b foi batizado então como "Tatooine", em referência ao desértico planeta dos filmes "Guerras nas Estrelas", que tinha a peculiaridade de contar com dois sóis.
"Durante muito tempo tínhamos achado que esta classe de planetas era possível, mas foi muito difícil de detectar por diversas razões técnicas", explicou o professor associado de Astronomia da Universidade da Flórida, Eric Ford.
Ford acrescentou que a descoberta de Kepler-34b e Kepler-35b, que será publicada nesta quinta-feira na edição digital da revista "Nature", somado à de Kepler-16b em setembro, "demonstra que na galáxia há milhões de planetas orbitando duas estrelas".
Acredita-se que os dois planetas recém-descobertos são formados fundamentalmente por hidrogênio e que são quentes demais para abrigar vida. São dois gigantes de gás de muito pouca densidade, comparáveis em tamanho a Júpiter, mas com muito menos massa.
Kepler-34b é 24% menor que Júpiter, mas tem 78% menos massa, e pode completar uma órbita em 288 dias terrestres. Já Kepler-35b é 26% menor, tem uma massa 88% inferior e demora apenas 131 dias para dar uma volta completa em seus dois sóis.
"Os planetas circumbinários podem ter climas muito complexos durante cada ano alienígena, já que a distância entre o planeta e cada estrela muda significativamente durante cada período orbital", explicou Ford.
A missão Kepler, que começou em março de 2009, utiliza um telescópio para observar uma pequena porção da Via Láctea. Os astrônomos analisam os dados procedentes do telescópio e buscam aqueles que mostram um escurecimento periódico que indique que um planeta cruza a frente de sua estrela anfitriã.
O objetivo da missão é encontrar planetas do tamanho da Terra na zona habitável das órbitas das estrelas (onde um planeta pode ter água líquida em sua superfície).
"A maioria das estrelas similares ao Sol na galáxia não está sozinha, como o sol da Terra, mas tem um 'parceiro de dança' e forma um sistema binário", explicou a Universidade da Flórida.
De fato, a missão Kepler já identificou 2.165 estrelas binárias eclipsantes (que tapam uma a outra desde a perspectiva do telescópio) entre as mais de 160 mil estrelas observadas até o momento.
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Meteorito estoura pára-brisa de carro no Canadá
http://hypescience.com/23170-meteorito-atinge-carro/
Quando o carro da família Garchinski foi atingido por uma pedra com tanta força que chegou a quebrar o pára-brisas, Yvonne Garchinski não teve dúvidas: ligou para a polícia, acreditando que a pedra tinha sido jogada por algum vândalo.
A polícia não pôde fazer muito: sem suspeitos nem testemunhas, questionaram por que o vidro frontal havia sido quebrado, mas não o traseiro. Mesmo assim, Yvonne afirma ter ficado intrigada e guardou a “pedra” que atingiu seu carro. De acordo com ela, não parecia uma rocha qualquer: era preta e fosca, com pequenos riscos acinzentados e salpicado com pontos metálicos. Colocados juntos, os pesados fragmentos encontrados no carro se juntam para formar uma pedra quase triangular.
Depois de duas semanas guardados, os cinco fragmentos finalmente tiveram um destino, depois que a chefe da família assistiu a uma reportagem e percebeu que a pedra poderia fazer parte de uma brilhante bola de fogo que havia passado pela sua cidade recentemente.
» Enorme bola de fogo cai no Canadá
Quando os fragmentos foram levados o professor de física Peter Brown, da Universidade de Ontário, ficou claro que o objeto era tudo que os cientistas procuravam. “Perceber que era um meteorito foi fácil”, diz Brown. “Ela é diferente de qualquer rocha encontrada na Terra”, aponta o físico.
A rocha que caiu no carro dos Garchinski ficará pelos próximos três meses nas mãos de pesquisadores, que irão analisar as características químicas e minerais do objeto para tentar traçar a sua origem. Este meteorito já é considerado um dos mais meticulosamente estudados: as câmeras de alta resolução de um centro de estudos de meteoros em Ontário registrou todo o seu trajeto. Isto permitirá que cientistas analisem a sua órbita e o seu histórico com maior precisão.
Grande parte dos meteoritos que caem na Terra tem mais de 4,5 bilhões de anos, e geralmente ficam com as pessoas que os descobriram. Fragmentos de rochas espaciais podem ser vendidos por aproximadamente 15 dólares (30 reais) por grama, de acordo com Brown. No caso deste curioso meteorito mais bem estudado, o valor de venda deve ser mais alto, mas a família ainda não decidiu o que fazer com ele quando voltar à sua casa.
Projeto ensina a ''caçar'' meteoritos
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=63506
No Ano Internacional da Astronomia, jovens são incentivados a ajudar na busca de material usado em pesquisa
Alexandre Gonçalves escreve para “O Estado de SP”:
Uma legião de jovens caçadores de meteoritos espalhada pelo País. Esse é o objetivo de um projeto lançado no Ano Internacional da Astronomia, que comemora os quatro séculos das primeiras observações telescópicas de Galileu Galilei. Folhetos foram distribuídos na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), realizada anteontem em escolas de ensino fundamental e médio de todo o Brasil. O material ensina a diferenciar pedregulho de objetos que chegam do espaço.
"Os meteoritos são registros únicos da história do sistema solar", explica a astrônoma Maria Elizabeth Zucolotto, do Museu Nacional, no Rio. "São restos de planetas que já não existem ou não chegaram a se formar." Revelam segredos sobre o núcleo dos astros - provavelmente, nunca chegaremos ao núcleo da Terra - e dão pistas sobre a origem da vida. "Há indícios de que substâncias importantes vieram cavalgando no espaço em meteoroides", aponta Elizabeth. "Mesmo a água que existe no nosso planeta não deve ter se formado aqui."
Ela estuda o assunto há 30 anos e sabe como é difícil encontrar um meteorito. "Uma pessoa pode buscar a vida inteira e jamais topar com um", afirma. "Por isso, é tão importante para a ciência contar com milhares de olhos em todos os lugares."
No folder distribuído para os estudantes, Elizabeth pede que enviem amostras dos minerais suspeitos para seu laboratório.
Cedo ou tarde, muitos meteoritos descobertos no País passam pelas mãos da astrônoma. Ela analisa e cataloga os meteoritos brasileiros. "Até o fim do ano, teremos 60 registrados." Atualmente, são 58. No mundo inteiro, há mais de 36 mil, 70% deles achados na Antártida.
Nos Estados Unidos, foram encontrados cerca de 1.500. "O povo aqui não sabe o que fazer com os meteoritos", afirma Elizabeth.
Em Palmas de Monte Alto (BA), por exemplo, a 700 quilômetros de Salvador, um meteorito metálico de 97 quilos permaneceu mais de 50 anos entre duas estantes do grupo escolar Marcelino Neves. Em novembro de 2007, o objeto foi mostrado ao paleontólogo Douglas Riff Gonçalves, que enviou uma amostra para Elizabeth. Ela confirmou a descoberta. Uma carta escrita pelo padre José Dorme ao Museu Nacional, em 1888, já descrevia um "aerólito" que caíra na região. Durante mais de cem anos, os cientistas ignoraram seu paradeiro.
Segredos
"Apenas 0,5% de amostra que recebo no meu laboratório é realmente meteorito", aponta Elizabeth. As demais peças são descartadas como minerais terrestres.
Para que a campanha de divulgação não transforme o laboratório do Museu Nacional em uma pedreira, Elizabeth incluiu no folder um fluxograma que ajuda a identificar minerais com chances reais de serem classificados como meteoritos.
"Inspirei-me em um guia médico para realizar diagnósticos simples em casa", conta. Há dois tipos principais de meteorito: os rochosos e os metálicos. Enquanto os primeiros têm formas facilmente identificáveis, os outros são confundidos com rochas terrestres e só costumam ser achados quando há testemunhas do lugar da queda.
Até agora, a divulgação custou R$ 25 mil. A iniciativa, financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), compartilha uma verba destinada à popularização da astronomia. Falta chegar uma segunda parcela de igual valor.
É o primeiro projeto de Elizabeth relacionado a meteoritos com financiamento público. "De 1997 a 2002, submeti outros, mas não passaram", afirma a pesquisadora. "Essa área de pesquisa precisa ser mais valorizada no País."
‘Sonho achar uma peça valiosa’, diz colecionador
Quando criança, o administrador Wilton Carvalho ouvia histórias da pedra encantada que caiu na caatinga. Foram homens da capital até lá para levar o objeto. Os idosos diziam que a pedra não queria acompanhá-los: travava as rodas do carro de boi e caía no chão. A persistência e o engenho dos pesquisadores venceram e, por ordem de d. Pedro II, o meteorito embarcou para o Rio, em 1888, em uma estação ferroviária do município de Itiúba (BA), cidade natal de Carvalho, a 360 quilômetros de Salvador.
Em 1990, com 44 anos, Carvalho visitou o Museu Nacional e ficou maravilhado com o bloco de metal que viera da sua terra. Feito de ferro e níquel, Bendegó é o maior meteorito brasileiro. Tem 5.360 quilos. Carvalho tornou-se colecionador. Soube de uma chuva de meteoritos em Campos Sales (CE),uma cidade com 26 mil habitantes a 500 quilômetros de Fortaleza. O administrador contratou uma pessoa para visitar os lavradores e descobrir se alguém tinha guardado pedaços do meteorito. Conseguiu vários fragmentos. Em contato com colecionadores de outros países, realizou trocas para aumentar a variedade do seu acervo.
No início, quis fazer dinheiro como hobby. Comprou meteoritos em Tucson (EUA), na maior feira de pedras do mundo. Tentou revendê-las aqui e continuou procurando meteoritos Brasil afora. Em poucos anos, descobriu que o ramo era pouco promissor. Não havia compradores brasileiros e as buscas custavam caro, sem retorno. “Sonho encontrar um meteorito valioso”, comenta em tom de brincadeira. “Passaria o resto da vida caçando só por prazer.”
Sua maior aventura foi uma incursão na floresta amazônica para encontrar a “Tunguska brasileira”. Em 1908, um objeto celeste atingiu o vale do Rio Tunguska, na Sibéria, e devastou 60 quilômetros quadrados de floresta. Segundo registros de um missionário, um evento semelhante, porém menor, ocorreu na Amazônia em 1930.
Em 1997, ao lado de pesquisadores do Observatório Nacional e de duas emissoras de televisão, Carvalho visitou a região do Rio Curuçá. Imagens de satélite insinuavam a existência de uma cratera. Vários dias na floresta terminaram sem sucesso: “Não podia ser lá: havia árvores com troncos grossos. ”Todos os anos, Carvalho realiza três viagens para procurar meteoritos.
A paixão de colecionador fez Carvalho ingressar na academia. No fim do ano, defenderá tese de mestrado sobre Bendegó na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Com sua orientadora, Débora Rios, conseguiu financiamento da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb) para o Programa de Recuperação, Classificação e Registro de Meteoritos (Promete). O projeto pretende recuperar meteoritos que caíram no Estado. Sua coleção particular está exposta no Museu Geológico da Bahia.
(O Estado de SP, 17/5)
QUEDAS DE METEORITOS: ESTUDO DA MATÉRIA CÓSMICA QUE ATINGE A TERRA. O CASO DE PUTINGA.
http://www.if.ufrgs.br/mpef/mef004/20041/Sonia/colecionador.html
Hardy Grunewaldt tem, em seu acervo particular, exemplar de meteorito metálico que caiu em Nova Petrópolis, em época não determinada, pesando em torno de 100 kg.
O acervo tem outras raridades, como o Pueblito de Alliende, meteorito que contém matéria orgânica na sua composição e mantém aberta a discussão sobre vida fora do nosso planeta.
Outra raridade é o exemplar de tectita lunar e fragmento do meteorito Bendegó, achado na Bahia em 1784.
Putinga localiza-se na região alta do Vale do Taquari, distante 110 km de Lajeado. Ficou famosa devido ao meteorito que caiu na cidade na década de 30 do século passado, quando ainda era distrito de Encantado. Em 16 de agosto de 1937, um domingo, a maior parte da comunidade estava reunida comemorando o dia de São Roque, padroeiro local. Um estrondo estranho e cada vez mais alto apavora os moradores, seguido por um rastro luminoso. Tratava-se de um meteorito,o qual fragmentou-se em várias partes que atingiram diferentes pontos das redondezas da cidade. O fenômeno, desconhecido para a maioria, causou medo e espanto.
A Sra. Rosa Secco, 94 anos, conta que estava reunida com as vizinhas, no pátio de sua casa. Devido ao barulho e ao 'relâmpago', todas correram e começaram a rezar; ela foi a única que ficou observando o rastro de luz e escutou o barulho da pedra caindo num potreiro próximo.
O pedaço que seu marido achou no potreiro tinha em torno de 20 kg e foi doado, devido aos maus presságios que estaria indicando. A maioria dos fragmentos recolhidos foi levada embora por viajantes e estudiosos, restando na cidade apenas um fragmento do meteorito, de 1 kg, exposto no Museu Municipal. Embora o fenômeno cósmico tenha causado curiosidade e espanto, a vida putinguense correu normalmente, mas os vários fragmentos do Meteorito de Putinga estão espalhados pelo mundo e tornam a cidade conhecida no cenário científico.
Outro pedaço do meteorito, maior, atingiu a propriedade de José Marchese. Seu filho, Sr. Fidêncio Marchese, atualmente com 83 anos, também foi atraído pelo barulho. Conta que viu aquele 'rastro de luz' barulhento cair no potreiro da família, levantando uma enorme nuvem de poeira. Com dois amigos, foi ao local. Estima que o buraco aberto tivesse 2 metros de profundidade e a "bola" pesava em torno de 52 kg.
No dia seguinte, carregaram-na no caminhão do Sr. Guido Cé, que teria levado a "bola do céu" para Porto Alegre.
Fragmento do meteorito de Putinga, parte do acervo Particular do Sr. Hardy Grunewald, da cidade de Arroio do Meio.
Meteorito raro encontrado por fazendeiro americano vale 6 milhões de reais
http://hypescience.com/meteorito-raro-encontrado-por-fazendeiro-americano-vale-6-milhoes-de-reais/
Em 2006, um fazendeiro encontrou um meteorito enterrado em uma colina em uma cidade de Missouri, nos EUA.
No entanto, só agora o valor dessa descoberta foi revelado. O geoquímico Randy Korotev, da Universidade de Washington, identificou a rocha espacial como um tipo raro de meteorito palasito que vale cerca de 6 milhões de reais.
Apenas 19 outros palasitos já foram encontrados nos EUA até hoje. O meteorito percorreu um longo caminho até chegar nas mãos de Korotev. Os pesquisadores acreditam que este meteorito era parte de um asteroide que orbitava o sol no cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter. Em algum momento, este fragmento se bateu com uma órbita que cruzava o caminho da Terra, e foi puxado para o nosso planeta pela gravidade.
Os cientistas não têm certeza de quando o meteorito atingiu a Terra, mas ele foi descoberto em 2006, quando um agricultor, que pediu para permanecer anônimo, encontrou uma pedra muito pesada em uma colina.
Embora a pedra parecesse normal por fora, quando o agricultor a serrou, um interior belo e inusitado foi revelado. Cristais verdes de um mineral chamado olivina se espalhavam por uma matriz de ferro-níquel, como lascas de chocolate em um cookie. Estas são marcas de um palasito.
Em 2009, Karl Aston, um químico, caçador de meteoritos amador e colecionador, ouviu falar sobre a rocha e se juntou com amigos para comprá-la. Para determinar que tipo de pedra tinham em suas mãos, os coletores trouxeram a rocha para Korotev, que era bem conhecido como identificador de rochas espaciais.
Korotev e sua equipe pegaram uma amostra da rocha e analisaram sua composição elementar para classificá-la. Eles descobriram que ela era parte de um grupo principal de rochas palasitos, similar à maioria das outras 19 que tinham sido encontradas no país antes.
Para descobrir se era um pedaço de um meteorito conhecido que já tinha sido estudado, os cientistas fizeram mais testes.
Korotev enviou a pedra a John Wasson, que tinha ferramentas especiais para analisar a matriz metálica dos cristais de
dentro da rocha.
Wasson concluiu que a pedra era única, sem relação com qualquer dos palasitos anteriores. Isso fez com que ela ganhasse seu próprio nome. Em 27 de agosto de 2011, o Comitê de Nomenclatura da Sociedade Meteoritical nomeou oficialmente a pedra Conception Junction, após o local onde foi encontrada.
A maioria dos meteoritos é feita de um tipo de material, mas palasitos como Conception Junction são diferentes. Estas pedras vêm de grandes asteroides que produzem calor interno suficiente para derreter parcialmente seu interior, criando um núcleo de metal líquido e um exterior rochoso.
Os cientistas acreditam que palasitos, que contêm uma mistura de metal e rocha, vem do limite de um asteroide, entre seu núcleo de metal e o mineral olivina em sua camada do meio, chamada de manto.
Asteroides são os restos que sobraram após a formação dos planetas, assim, são feitos do mesmo material que a Terra.
Pesquisadores acreditam que a fronteira entre o núcleo do nosso planeta e seu manto é muito parecida com a composição de um meteorito palasito.
Quando cortado e polido, esse meteorito vale cerca de 354 reais por grama. Em contraste, meteoritos comuns são vendidos por 3 a 5 reais por grama, enquanto o primeiro meteorito lunar encontrado por um colecionador particular valeu 70.000 reais por grama.
No entanto, o fazendeiro de Missouri provavelmente não vai ficar milionário. Korotev disse que os meteoritos não são uma boa forma de enriquecer, afinal colecionadores de meteoritos raramente são ricos; eles fazem isso por diversão.
No total, o novo meteorito pesa cerca de 17 quilos, trazendo seu valor para cerca de 6 milhões de reais. Aston e outros colecionadores doaram a maior parte do meteorito para universidades e museus, mas ainda há alguns exemplares disponíveis para compra. [LiveScience]
domingo, 23 de setembro de 2012
As três galáxias que podemos ver a olho nu
Guilherme Murici Corrêa (Monitor UFMG/Frei Rosário)
Galáxias
Todos os planetas do nosso Sistema Solar orbitam o Sol, que é apenas uma dentre bilhões de estrelas que compõe a nossa galáxia: A Via Láctea. Observada e nomeada desde tempos muito remotos, foi apenas descoberto que o “caminho de leite” na verdade se tratava de um imenso número de estrelas, quando o famoso astrônomo Galileu Galilei a observou.
Quando observamos o céu em uma noite sem nuvens podemos ver milhares de estrelas dependendo das condições do local de onde observamos. Todas estas estrelas fazem parte desta galáxia em que o sistema solar está localizado. Se abstrairmos um pouco e pensarmos cada vez mais distante, haverá um momento em que será possível distinguir uma forma para esta organização de estrelas, no caso da via Láctea será uma forma espiralada praticamente planar, ou seja, a grande maioria das estrelas está localizada em um plano, o “disco” galáctico. O primeiro astrônomo a chegar a esta conclusão foi o também famoso William Herschel que mais tarde obteve confirmação de suas observações quando Harlow Shapley descreveu como as estrelas estariam organizadas em relação ao centro (bojo) da galáxia e também demonstrou que o Sol está mais próximo à borda da Via Láctea.
As galáxias são, portanto, formadas de estrelas, milhões ou bilhões delas. Existem várias classificações para cada uma dependendo de sua forma, como por exemplo, galáxias irregulares, elípticas, espirais, como é o caso da Via Láctea, Andrômeda, entre outras. As galáxias espirais também podem possuir um formato característico que é denominado de espiral barrada.
Entre as estrelas se encontra também muito gás e poeira, de fato ¾ da massa de uma galáxia está na forma de gás e poeira. Este é o material que restou de estrelas que já “se foram” e é também o material que novas estrelas utilização para se formar. Comentando de maneira breve: Estrelas são formadas principalmente por nuvens de gás, principalmente hidrogênio, que é o elemento mais simples existente e o primeiro a sofrer o processo de fusão nuclear no ciclo de reações que ocorrem durante o período de atividade de uma estrela.
Toda essa poeira e gases existentes nas galáxias também emitem luz porque seus átomos estão sendo excitados de alguma forma pela radiação das estrelas vizinhas e quando seus respectivos elétrons retornam ao estado fundamental, estes emitem fótons. Repare estas regiões nebulosas observando, por exemplo, as partes de cores azuis e rosas nesta fotografia da galáxia M66:
M66
Observando em todas as direções é possível ver galáxias que podem estar tão perto como algumas centenas de milhares de anos luz até galáxias tão distantes que são necessários telescópios de grande porte para se fotografar e estudar. Devido a estas grandes distancias envolvidas no estudo e observação de galáxias, parece pouco provável observa-las à vista desarmada ou mesmo com pequenos telescópios ou binóculos.
Galáxia do Triangulo
Felizmente isto não é verdade, a Via Láctea possui algumas galáxias satélites, isso mesmo, assim como a lua é um satélite natural da Terra, existem galáxias pequenas quando comparadas à Via Láctea que estão gravitacionalmente relacionadas “conosco”. Este fato intrigante nos permite observar dois objetos muito interessantes que são melhores observados de latitudes mais austrais devido à suas localizações no céu.
Todas estas características peculiares são o motivo da descoberta relativamente tardia das nuvens de Magalhães. Como o nome já sugere, estes objetos que mais tarde foram estudados e percebidos como galáxias, foram descobertos pelo navegador Fernão de Magalhães em torno de 1519.
Juntamente com as nuvens de Magalhães, a grande galáxia de Andrômeda também pode ser observada à vista desarmada.
O que é possível observar a olho nu?
Infelizmente todos os detalhes, contornos e cores como visíveis por estas fotos acima somente podem ser observados através de telescópios de grande abertura que são utilizados para realizar fotografias de exposição, realçando e evidenciando características que o olho nu não conseguirá distinguir.
Por outro lado, observar o céu a olho nu é uma atividade simples e prazerosa. Quando uma observação sem instrumentos é feita com cuidado muitos objetos interessantes podem se revelar. E embora pareça difícil observar uma galáxia devido aos fatos de que estes corpos estão muito distantes e também que o brilho proveniente de uma galáxia não é concentrado como o brilho visível de uma estrela, ainda sim é possível observar estas três galáxias: A galáxia de Andrômeda, A Grande Nuvem de Magalhães e a Pequena Nuvem de Magalhães. Esta observação auxilia o conhecimento dos objetos celestes e fornece um maior contato com o que observamos, já que se torna bem mais fácil observar objetos quando possuímos uma noção de orientação, das constelações e assim em diante.
É possível reconhecer que estes objetos, a primeira vista apenas manchas no céu, são de fato grupos de estrelas e, de uma maneira bem geral, vários outros objetos próximos serão melhores observados quando conseguimos identificar suas localizações como aglomerados estelares e nebulosas.
A Pequena Nuvem de Magalhães
Pequena Nuvem de Magalhães e o Aglomerado de 47 Tucano
Esta galáxia irregular está próxima à constelação do Tucano e está a menos de 200 mil anos luz da nossa galáxia. É uma galáxia satélite da nossa e possui diversos objetos nebulosos próximos como o famoso aglomerado globular de 47 Tucano. É importante lembrar que para observa-la é necessário um local com pouca poluição luminosa, além de ser mais facilmente observada quando a Lua não estiver no céu. A mancha tênue ligeiramente esbranquiçada não será confundida quando o observador se lembrar de sua localização:
Carta celeste indicando localizações das nuvens de Magalhães observando na direção E-SE e baseando-se em estrelas brilhantes
NGC 104 ou 47 tucanae é o segundo aglomerado globular mais brilhante de todo o céu
A Grande Nuvem de Magalhães
Assim como a Via Láctea e a pequena nuvem de Magalhães, a grande nuvem de Magalhães também pertence ao grupo local de galáxias e é do tipo irregular. Trata-se de um objeto que está próximo à constelação de Dorado e está a apenas cerca de 170 mil anos luz da Via Láctea. Estende-se por uma extensão consideravelmente maior que Pequena Nuvem de Magalhães e possui, similarmente, muitos objetos nebulares próximos muito interessantes como a nebulosa da tarântula.
A grande nuvem de Magalhães (LMC) e a nebulosa da tarântula, acima à esquerda
Uma curiosidade sobre a grande nuvem de Magalhães é que sua órbita é praticamente circular ao redor da via Láctea. Observações e estudos foram realizados e este objeto é uma fonte de estudos para questões como a matéria escura (dark matter) na nossa própria galáxia
A Nebulosa da Tarântula
A galáxia de Andrômeda
O objeto mais distante que é possível de se observar à vista desarmada, é uma grande galáxia que junto com as duas anteriores também faz parte do grupo local. Galáxia do tipo espiral que possui um diâmetro de aproximadamente 250 mil anos luz, (mais do que o dobro do diâmetro da via Láctea!) e está distante cerca de 2.9 milhões de anos luz da nossa galáxia. Possui galáxias satélites e está localizada na constelação de Andrômeda, a princesa, um dos personagens da mitologia grega. Melhor observada do hemisfério norte, possui a seguinte localização:
Também conhecida como M31, objeto 31 do catálogo do astrônomo francês Charles Messier, Andrômeda possui uma aparência bem uniforme quando observada a olho nu. O mais desafiador dos objetos desta lista é também uma bela indicação de uma região do céu próxima a estrelas muito conhecidas, principalmente no hemisfério norte. Um local com pouquíssima iluminação deve ser buscado para observar a região mais central da galáxia. Se observado por binóculos ou pequenos telescópios, o formato oval é facilmente distinguível, já quando observado por telescópios de maior abertura, detalhes mais profundos são revelados.
Três fotos da Galáxia de Andrômeda
Observar galáxias definitivamente não é uma tarefa fácil, contudo é muito interessante e divertido. Observadores que desejam ir além do sistema solar, têm um bom ponto de partida. Estas três galáxias podem ser o início de uma grande jornada através de objetos difusos mais complexos como nebulosas e galáxias mais distantes. Mesmo um observador despretensioso vai com certeza encontrar motivação para conhecer por si mesmo estes objetos.
Constelação do Sagitário
Essa região da constelação do Sagitário é riquíssima em aglomerados de estrelas e nebulosas. Algumas são visíveis até a olho nu, numa noite sem a interferência da Lua e fora da poluição luminosa. Porém, se o observador estiver munido de um simples telescópio ou binóculo, poderá contemplar várias nebulosas e aglomerados estelares dessa região. A contemplação da constelação do Sagitário poderá ser realizada durante todo esse mês. Cerca de 30 minutos após o pôr do Sol, basta olhar para o local mais alto do céu (chamado de zênite) e localizar essa bela constelação. Com o avançar das horas essa constelação irá "caminhar" de forma aparente para o horizonte oeste, até que por volta das 1h30min irá se pôr. Para esse mês a Lua poderá ser observada nessa constelação entre as noites 22 a 24 de setembro.
A figura 17 ilustra o aspecto do céu para 19h30min em 22 de setembro tendo a Lua localizada na constelação do Sagitário com 51% do seu disco iluminado, ofuscando em partes os objetos celestes que estarão à sua volta. Sendo assim, prefira contemplar essa região do céu nas noites que a Lua não irá interferir na observação dos diversos aglomerados estelares
Figura 17. Constelação do Sagitário com seus principais objetos celestes, asterismo e concepação artística às 19h30min em 22 de setembro de 2012.
Perceba que na figura 17 foram ilustrados os principais aglomerados estelares, as estrelas mais brilhantes, o asterismo do Sagitário e sua concepção artística. Na figura 18, que ilustra a mesma região do céu, foram representados apenas o asterismo da constelação e os nomes dos principais objetos celestes. Vale tentar desenhar no céu essa constelação.
Figura 18. Constelação do Sagitário com seus principais objetos celestes e asterismo às 19h30min em 22 de setembro de 2012.
Por fim, a figura 19 ilustra o mesmo aspecto do céu para o mesmo horário, porém sem o asterismo da constelação do Sagitário e sem os nomes dos principais objetos celestes, ou seja, o céu da natureza. Compare a figura 19 com a figuras 17 e 18 para poder localizar os objetos celestes.

Figura 19. Constelação do Sagitário às 19h30min em 22 de setembro de 2012.
Analise as figuras 17, 18 e 19 e aponte seu instrumento óptico para essa região. Você terá belas surpresas! Vale lembrar que essas figuras valem para todo o mês, porém sem a presença da Lua, exceto nos dias 22 a 24 de setembro.
É interessante saber que o brilho do objeto celeste é importante para poder observá-lo. Para tanto, utilizamos um número que representa a magnitude do astro. Quanto maior esse número menor será seu brilho, numa razão inversamente proporcional. Assim, partindo da observação mais fácil para mais difícil, inserimos abaixo os nomes populares das nebulosas e aglomerados estelares, seguido da sua especificação pelo catálogo de Messier, indica pela letra M e, finalmente, sua magnitude.
Aglomerado estelar - M25 - magnitude = 4.9 (Visível a olho nu)
Aglomerado de Trifid - M20 - magnitude = 5.0 (Visível a olho nu)
Nebulosa da Lagoa - M8 - magnitude = 5.0 (Visível a olho nu)
Aglomerado estelar - M23 - magnitude = 6.0
Aglomerado estelar - M22 - magnitude = 6.5
Aglomerado estelar - M21 - magnitude = 7.0
Nebulosa de Ômega - M17 - magnitude = 7.0
Aglomerado estelar - M55 - magnitude = 7.0
Vale ressaltar ainda que os objetos que são sugeridos para serem observados a olho nu devem ser feitos fora das grandes cidades que possuem um alto índice de poluição luminosa, além de uma noite sem a interferência da Lua. Porém, esses objetos são possíveis de serem observados nas grandes cidades com auxílios de telescópios ou binóculos, onde o binóculo é a melhor opção. Os objetos que possuem magnitude próximos e até 6.0 de magnitude são possíveis de serem observados nas grandes cidades, porém muito difusos mesmo com auxílio de telescópio e binóculo. Ainda, esses objetos que possuem magnitude abaixo de 6.0 podem ser observados a olho nu mesmo em cidades com médio índice de poluição luminosa, porém com certa dificuldade. Somente mesmo o aglomerado estelar M7 da constelação do Escorpião (que se localiza próxima da constelação do Sagitário) que possui magnitude de 3.5 pode ser contemplado a olho nu com certa facilidade nas cidades onde a poluição luminosa é considerada média para baixo.
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